A McLaren MP4-26 não foi um sucesso no começo do ano, devido a complexidade que foi desenvolvido durante o inverno de 2010 para o lançamento em Fevereiro de 2011. O carro chegou com um novo conceito em termos de inovação nas laterais e um novo sistema de refrigeração para suprir toda a engenharia do carro desde: cambio, motor, óleo, água e Kers.
Nos testes em Fevereiro eles pareciam estar sem a performance de uma McLaren, como no ano de 2009 quando as novas regras foram introduzidas. Mas era só o começo, já na Australia eles chegaram muito mais competitivos que nos testes, e desde então foram os únicos que puderam vencer mais de uma vez na temporada de 2011. Vamos fazer uma analise de engenharia e aerodinâmica no carro que tirou a RedBull da pole na Korea pela primeira vez no campeonato.
Primeiro vou mostrar um foto do lançamento do carro que foi tirada por um fotografo da Formula-1 no começo do ano, como vocês podem perceber na foto, o difusor era bastante simples e arredondado nas laterais e nas pontas.Você pode perceber que a lateral da asa traseira também não tem as barbatanas para direcionamento do ar e também o difusor não tem o gurney.

Agora que já olhamos o carro ao sair do forno, vamos analisar o carro que finalmente fez a pole na Korea, praticamente o mesmo carro visualmente para muitos, mas é nos detalhes que as equipes ganham corridas, como a Mclaren já fez este ano.

Figura 2.0 - McLaren MP4-26
Começando pelo ponto “A”, a McLaren introduziu um gurney no difusor que foi adotado para gerar mais downforce, o gurney é uma solução muito interessante, pois alem dele provocar uma turbulência ao pros de gerar mais downforce, ele também funciona muito bem com pouca velocidade, por ser quase que uma mini parede contra o ar, inclusive nessa área que o ar chega muito disperso. O ponto “A” é em conjunto com o ponto “B”, a base do difusor com o Gurney já embutido, primeira evolução da Mclaren para Autralia. O perfil de cima, o ponto “A”, veio mais tarde no campeonato.
O ponto “C” mostra que apensar deles terem desenvolvido bastante, ainda existem problemas de aquecimento no assoalho, devido ao escapamento que é direcionado especificamente naquela área para usar os gases que saem à uma velocidade altíssima dos exaustores, assim gerando mais pontos de downforce na parte superior do difusor. O ponto “D”, mostra fios que são sensores de pressão aerodinâmica, coisa que nossa equipe na Lotus não tem, são desenvolvidos pela própria McLaren Eletronic System. Com esses dados eles podem calcular exatamente o que se passa nas asas traseiras a qualquer momento ao decorrer de uma curva ou reta, melhorando ainda mais os simuladores virtuais para acerto aerodinâmico para cada circuito. Nesta mesma figura você pode perceber as barbatanas ao fim da lateral nas asas traseiras, evolução que veio depois dos testes em Fevereiro.

Figura 3.0 - McLaren MP4-26
Recentemente introduzido, essa nova solução de escapamento veio no final da fase europeia, ainda parece um pouco grotesco o sistema mas é muito eficiente, como vocês podem ver no ponto “A”, o escapamento é bastante longo quase chegando a altura onde começa o pneu, assim capaz de direcionar o ar ainda mais certo para a parte superior do difusor, o cano curto ou longo tem praticamente a mesma força de aumento na aceleração do ar que passa no difusor, mas o canal mais longo como esse no ponto “A”, direciona melhor e especifico na região, determinado por inúmeras simulações, provocando a melhor eficiência na parte traseira do carro.
Certo que aumentando significantemente a estabilidade da traseira do carro, o piloto ira sofrer muito com o “understeer” (quando o carro sai muito de frente), mas a Mclaren achou uma solução para isso, apenas aumentado o “Rake” do carro, traduzindo, a parte traseira fica mais alta em comparação a dianteira em termos de altura, assim amentando o centro de rolagem do carro dando assim mais aderência dianteira. Por isso que a combinação do gurney, escapamento longo e altura do carro foi uma evolução que levou algum tempo para descobrir, mas assim podendo tirar o máximo do carro.
Observando o ponto “B”, o modelo do escapamento, que é um oval achatado, varias equipes usam soluções diferentes como as fotos seguintes :

Figura 5.0 - TeamLotus
A Team Lotus usa uma outra solução, ponto “A”, mais achatada retangular, ponto “B”. Desenvolvido junto com os números da fornecedora de motor Renault em conjunto com os projetistas do assolho do carro. A famosa solução da Renault que também é oval achatado, só que os escapamentos são direcionados para frente nas laterais inferiores dos carros :

Figura 4.0 - Renault-Lotus
Já a Ferrari usa o mesmo sistema da Team Lotus com os exaustores achatados.

Figura 6.0 - Ferrari
Ainda na traseira do carro da Mclaren encontramos o sistema de “Pushrod” invertido, ponto “A”, assim sendo denominado “Pull Rod”, é um novo sistema introduzido já em 2010, ideá da RedBull Technology, esse sistema permite que os amortecedores fiquem alojados dentro e no centro do cambio, podendo assim também colocar as barras de torções na horizontal, tudo isso para evitar o transferimento lateral do peso e também localiza-lo o mais perto do chão possível para baixar o centro de gravidade daquela especifica área do carro. A geometria e engenharia do cambio é muito importante para o funcionamento do carro em curvas de baixa, assim melhorando a aderência mecânica, não somente em curvas de baixa, mas gera um impacto em curvas de alta devido a alta aceleração lateral.

Figura 7.0 - McLaren MP4-26
No meio do carro encontramos uma lateral bastante alta em comparação aos outros carros, a lateral fica paralela ao assoalho, ponto “A”, gerando um canal, que também foi introduzida pela Toro Rosso para gerar um fluxo direto do ar, sem distorção para o difusor traseiro, todo esse processo inciando no ponto “A” ao ponto “B” para o ponto “D”.
A McLaren em 2011 se concentrou bastante em desenvolver um conceito para conduzir o ar para a traseira do carro com a melhor canalização possível, assim introduzindo não só as laterais altas mas também em forma de “U”, desso modo o volume de ar na área posterior do carro é maior e melhor canalizado, como podemos ver no ponto “C”, algumas equipes chegaram a comentar que já aviam pensado nesta solução mas não tinham chegado a uma conclusão solida.

Figura 8.0 - Maclaren MP4-26
Finalmente o sistema mais complexo de refrigeração da Formula 1, eles distribuirão em 4 áreas distintas no carro começando com o ponto “A”, para a refrigeração das baterias do Kers, assim trabalhando em uma temperatura ideal e não super aquecendo, desse modo a potencia quando acionada fica sempre constante. A RedBull teve problemas no Kers este ano devido exatamente ao aquecimento das baterias.
No ponto “C”, esta a refrigeração do sistema de cambio, assim mantendo sempre em sua máxima performance. No ponto “D” e “E” esta a canalização de ar para o óleo do motor e água. O ponto “B” como a maioria deve saber, é para a admissão de ar do motor, a medida da abertura desse canal é determinada pela FIA no regulamento técnico.

Figura 9.0 - McLaren Mp4-26
Pessoal espero que tenham gostado dessa analise de engenharia e aerodinâmica, tenho estudado bastante essa área já que tenho passado bastante tempo na fabrica para conhecer mais a dinâmica de veiculo, espero escrever mais desses blogs no futuro. Vou deixar vocês comentarem agora.